28 de março de 2010

Banestado: PF descobriu elo de Serra com conta secreta

Isto é 01/07/2003
A Polícia Federal, através do delegado José  Castilho Neto e do perito Renato Rodrigues Barbosa, entregou ao Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, um dossiê sobre as remessas ilegais de recursos para o exterior, através das chamadas contas CC-5, envolvendo nomes de políticos ligados ao governo FHC, entre eles o candidato derrotado à presidência da República, José Serra, o ex-diretor Internacional do Banco do Brasil, e caixa da campanha, Ricardo Sérgio de Oliveira e o também caixa de campanha tucana, Sérgio Motta.

Segundo a revista “IstoÉ Dinheiro”  os documentos da PF que envolvem José Serra são extratos fornecidos pelo banco americano JP Morgan Chase aos investigadores brasileiros, obtidos mediante a quebra, naquele país, dos sigilos bancários dos envolvidos. José Serra aparece como autor de uma ordem de pagamento internacional no valor de US$ 15,6 mil que teria, por solicitação sua, saído da conta “Tucano” no JP Morgan e ido parar na conta 1050140210, da empresa Rabagi Limited, no Helm Bank de Miami. Essa operação, segundo a Polícia Federal, mostrou que José Serra tinha poderes para movimentar a conta “Tucano”. Segundo o mapeamento feito pela Polícia Federal, essa conta movimentou US$ 176,8 milhões entre 1996 e 2000. Os recursos partiram de laranjas em Foz do Iguaçu e seguiram para a conta “Tucano” no JP Morgan, em Nova Iorque. A PF, que realizou um rastreamento internacional dos recursos e descobriu também o envolvimento de outros tucanos nas remessas, como Ricardo Sérgio de Oliveira e Sérgio Motta, pretendia agora investigar se José Serra, além de movimentar a conta “Tucano”, era proprietário da empresa Rabagi Limited, que recebeu os recursos do JP Morgan.Off shores sediados em paraísos fiscais em outros nomes  utilizadas para internação de valores em território pátrio sempre com apontamentos de transações financeiras entre elas no exterior.

A Polícia Federal descobriu também que a conta “Tucano” em Nova Iorque teve uma movimentação suspeita no dia 30 de março de 1999, com a transferência de US$ 500 mil de sua sede nos EUA para outra conta, também batizada com o mesmo nome de “Tucano”, só que num banco Suíço, o Lugano. E o que intrigou os policiais da PF, neste caso, é que 24 horas depois, ou seja, em 31 de março, outros US$ 500 mil saíram da conta “Tucano” de Nova Iorque em direção à Suíça.

As investigações sobre as remessas ilegais através das contas CC-5 começaram graças ao trabalho do promotor Celso Três que, segundo a “IstoÉ”, mapeou todas as contas CC-5 do Brasil. A ação da Polícia Federal, logo em seguida, permitiu chegar nas contas de altas figuras do governo tucano. Para obter as informações que ajudaram a esclarecer o caso, a PF pediu à justiça americana a quebra do sigilo bancário dessas contas. Com isso acabou chegando nas pessoas que fizeram as movimentações nessas contas. O JP Morgan recebia recursos enviados por laranjas sediados em Foz do Iguaçú. Segundo o delegado Castilho, todas as pessoas que movimentaram essas contas no exterior, como foi o caso de Serra e Ricardo Sérgio de Oliveira, deverão ser investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito.
  • 2010 - Sem Meirelles no comando do BC do B.os temores ficaram maiores ontem, quando o presidente-executivo do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, advertiu que a economia pode seguir ameaçada por um cenário de "queda dupla". Sem deixar claro quais são os problemas que vislumbra, o executivo foi realista: "Há um monte de situações potencialmente negativas". Dimon admitiu que preferiria estar convencido de que o pior da crise já ficou para trás.
  • Como o JP Morgan Chase é um dos pilares da Oligarquia Financeira Transnacional, tudo que seu dirigente fala deve ser levado em consideração com seriedade crítica. No Brasil, o JP é um dos apoiadores do Instituto Millenium deixando claro a meu ver com esta declaração, de que para ele Serra/FHC é intocável!
CPI vai requisitou documentos sobre o assalto ao dinheiro público através do Banestado.

A CPI que investigou a remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior através das contas CC-5 e utilizando o Banestado, localizado no município de Foz do Iguaçu, solicitou ao Ministério Público todos os documentos e inquéritos que foram conduzidos pela Polícia Federal e pela equipe formada pelo governo para apurar o caso. foram ouvidos, entre outros, técnicos do Banco Central, delegados da Polícia Federal e procuradores.

A Comissão Parlamentar de Inquérito, que tem como relator o deputado federal José Mentor (PT-SP) investigou, entre outras coisas, a denúncia da existência de uma conta no JP Morgan Chase, de Nova Iorque, que teria sido movimentada, entre outros, por políticos ligados ao governo FHC, como José Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira e o falecido ministro Sérgio Motta. Com o nome de “Tucano”, essa conta movimentou cerca de US$ 176 milhões entre 1996 e 2000, segundo investigações da PF.
  • Requião: se apurar o roubo a fundo, vai se “pegar o governo FH inteiro”para Requião, “as empresas internacionais, a proposta de desnacionalização do Brasil, os banqueiros”, que são, “os beneficiários da política econômica” financiam a corrupção.                                                                                          
  •  “A gente não precisa nem de um roubômetro para avaliar isso. O Fernando Henrique, com toda a privataria, roubou 10.000 vezes mais do que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula”, afirmou o governador do Paraná, Roberto Requião(PMDB),em entrevista publicada na última edição da revista  "Caros Amigos" [ http://www.carosamigos.com.br/ ]. Requião ressaltou, em outro trecho da sua entrevista, que se as atuais investigações no Congresso forem aprofundadas pegarão “o governo Fernando Henrique inteiro”.

Precatórios, Banestado, IBF Factoring, Split Distribuidora, HC Ministro Cezar Peluso

Senado, 26 de fevereiro de 1997.
Assim disse o Senador José Fogaça (PMDB-RS), dia 26 de fevereiro de 1997, em discurso no Senado:
“Trago, nesta sessão, para debate da Casa e dos colegas senadores, um tema que, emerge com a CPI dos Títulos Públicos emitidos para pagamento de precatórios. Embora não vá entrar no cerne da questão, porque o tema já está sendo contundentemente tratado pela própria Comissão Parlamentar de lnquérito – é lá o fórum legítimo e adequado para o debate desta matéria –, há uma questão que paralelamente surgiu e que parece ser merecedora de uma análise e de uma consideração.
Aqui tenho um recorte da Gazeta Mercantil, em que um dos mais lúcidos e inteligentes senadores desta Casa, possivelmente um dos mais cultos e preparados, um economista extremamente qualificado, o Senador José Serra, emite opinião sobre o assunto.
É o seguinte o trecho da matéria:
"A utilização da IBF Factoring como 'laranja' de outras instituições financeiras levou José Serra a sugerir que as empresas de factoring passem a ser fiscalizadas pelo Banco Central". Diz José Serra: ”Do jeito que estão hoje, elas burlam os controles de crédito. Não se trata de acabar com elas, mas de colocá-las dentro das normas que regem o mercado financeiro".
Chamou-me a atenção essa declaração de um Senador da estatura e da importância do Senador José Serra, que atualmente é membro da Comissão Parlamentar de lnquérito e já exerceu o cargo de ministro do Planejamento e secretário do Planejamento de São Paulo. É uma figura realmente de grande destaque no Pais. Mas aqui estamos verificando que até entre as pessoas mais lúcidas, mais bem informadas – e há poucas pessoas tão bem informadas no Pais como o senador José Serra –, até entre elas há, muitas vezes, um erro de interpretação. Um engano, um equivoco ou uma desinformação a respeito do que é de fato o factoring.
A empresa deste cidadão que se apresentou na Comissão Parlamentar de lnquérito, intitulada IBF, na verdade, não é uma empresa de factoring não exerce o factoring, e se trata de uma burla da lei, de um engodo, de uma mentira, de uma contrafação, de uma verdadeira falsificação ideológica. Uma empresa como essa ganha uma notoriedade nacional, ganha destaque no noticiário, e, de repente, um dos mais brilhantes homens públicos, o Senador José Serra generaliza o fato para quase todas as empresas de factoring. Fico a me perguntar se um homem da largueza de visão, da capacidade, do conhecimento do Senador José Serra comete esse equivoco, fico a pensar quantos brasileiros não estarão fazendo o mesmo, quantos homens ligados à atividade política, à atividade econômica, ao setor produtivo do Pais não estão tendo esse mesmo erro de enfoque ou de interpretação.
É muito importante fazer esse registro, quero ressaltar, mais uma vez, que só estou usando o exemplo do Senador José Serra pela sua importância, ou seja, pela importância de sua pessoa, pelo seu nome, pela sua enorme dimensão política porque, na verdade, factoring não é empresa de mercado financeira, empresa de factoring não pode atuar no mercado financeiro, não pode captar recursos do mercado financeiro, não pode realizar operações nesse sentido. Há dois anos. Sr. Presidente, Srs. Senadores, apresentei à Casa um projeto de lei exatamente com o objetivo de regulamentar as atividades de factoring no Pais, definindo claramente quando uma empresa pode assim se intitular, se denominar e exercer os níveis de competência que abrangem, de fato e de direito, as atividades de factoring no Pais.
O factoring entrou em atividade no Brasil operando agiotagem financeira
Não hesito em dizer que, se o nosso projeto de lei já tivesse sido transformado em norma legal, vigente, essa IBF, essa instituição laranja, descoberta e revelada pela CPI dos Títulos Públicos para pagamento de precatórios, simplesmente não existiria, estaria varrida do mapa, fulminada pela força sanitária da lei.
É importante ressaltar que esse é um setor no qual, facilmente, a picaretagem campeia, porque há, ao lado daquelas empresas sérias, daquelas empresas estruturadas para a atividade especifica e legalmente considerada, justamente porque é algo muito recente no Brasil – essas empresas têm uma existência legal muito recente, há muito pouco tempo, há muito poucos anos que o factoring entrou em atividade no Brasil, como este é um nome um pouco indefinido na cabeça das pessoas e como tecnicamente há muita desinformação a respeito do que seja factoring, há um bando de picaretas, há um sem número de praticantes de falcatruas, de agiotas, de compradores de cheque, de praticantes de uma agiotagem financeira deslavada, que acham interessante colocar o nome na placa de factoring para poder ganhar uma certa respeitabilidade de agente do mercado financeiro. Esse é o fato. Mas factoring não é isso, não pode ser isso, e é crime agir no mercado financeiro como empresa de factoring. Esse cidadão jamais poderia registrar a sua empresa se o nosso projeto de lei estivesse vigorando.
O projeto de lei diz:
Factoring é uma atividade voltada para o fomento mercantil, para a assistência técnica, contábil e financeira de pequenas e médias empresas, mediante contrato de, no mínimo, um ano, e tão somente utilizando recursos próprios.
O empresário ou agente de factoring não pode captar recursos no mercado financeiro. Isso não é apenas uma deformação conceitual do que seja factoring. Isso é crime, é pratica contrária à Lei Penal.
Quero ler aqui uma nota da Federação Brasileira de Factoring, instituição que representa os profissionais sérios do setor:
a. a IBF Factoring Fomento Comercial não é filiada ao sistema FEBRAFAC/ANFAC e nunca fez operações que legalmente possam ser consideradas de factoring;
b. o seu objeto social, que contraria o disposto na Circular BC 1.359/88. no art. 28. § 1º, alínea c - 4, da Lei 8.981/95, e na resolução n 2.144/95 do Conselho Monetário, não define a atividade econômica da empresa como factoring;
Então faço mais uma vez um apelo aos Srs. Senadores nesse sentido Aprovada a lei do factoring, mandamos os picaretas ou para a prisão ou para o olho da rua. Sr. Presidente.
Vejam estas empresas na CPI dos Precatórios:
Senadores e a CPI dos Precatórios: Segundo levantamento da CPI, o Bradesco comprou papéis em dois dias diferentes, após terem seguido um caminho idêntico por sete instituições financeiras.
São elas: Vetor, Valor, Olímpia, IBF Factoring, Split, Astra e Paper. Para fazer o passa e repassa dos papéis, essas intermediárias lucraram R$ 27,580 milhões em um dia e R$ 21,964 milhões em outro.
Intermediários atuaram com Bradesco e Banestado
O que mais impressionou os senadores da CPI foi outra parte do depoimento de Ganon, em que ele afirma que é prática corriqueira os grandes bancos comprarem títulos por meio de distribuidoras sem a menor expressão. "Por trás disso tudo deve haver gente com muito dinheiro para comprar o título, geralmente dinheiro que não é deles mesmos, e sim de fundos de pensão, de investimento, acionistas ou correntistas", disse o relator da CPI dos Precatórios, senador Roberto Requião (PMDB-PR).
Segundo rastreamento sob a responsabilidade da senadora Emília Fernandes (PTB-RS).
Foram duas operações em 1995. Na primeira, em 19 de junho, estavam envolvidos 35 mil títulos de Pernambuco. Antes de chegar ao Banestado, os papéis foram comprados e revendidos cinco vezes. Passaram pelo Vetor, Olímpia, IBF Factoring, Ativação, Factorial e Banestado.
No meio do caminho, deixaram lucro de R$ 2,208 milhões com o Vetor e outros R$ 5,203 milhões com a IBF Factoring. Essa é outra coincidência com as operações envolvendo o Bradesco: nela, a IBF também concentrou a maior parte dos lucros. A IBF se assume como uma "laranja" da Split.
Outra operação do Banestado ocorreu em 25 de junho, movimentando 25 mil títulos. O Vetor repassou os papéis para a Astra, lucrando R$ 1,580 milhão. Depois, os títulos passaram pela Olímpia, Valor, Split e IBF. Novamente, a IBF foi a que lucrou mais, ficando com R$ 6.701 milhões. Depois os papéis seguiram o mesmo caminho da operação do dia 19 de junho: Ativação, Factorial e Banestado.
CPI dos precatórios rejeitou em sessão secreta quebrar os sigilos fiscais
CPI dos Precatórios rejeitou, em sessão secreta, requerimento que pretendia quebrar os sigilos fiscais, bancários e telefônicos de todos os senadores que relataram e votaram a favor da emissão de títulos públicos investigadas pela comissão.
A sessão secreta, transformou-se num bate-boca entre os integrantes da comissão.
O diretor Genival Almeida, do Banco Maxi-Divisa. O banco é suspeito de ter realizado operações irregulares com títulos públicos em Alagoas. Almeida admitiu que fez as operações com títulos do Estado, mas afirmou que elas eram regulares. Disse ainda que o banco pagou imposto sobre essas operações e que, quando assinou contrato com o Estado de Alagoas, percebeu que não seria possível realizar todas as operações , a opção foi a contratação de empresas para tratar da "parte técnica", como a corretora Perfil e a distribuidora Mercado realizadas pelo corretor Marcus Vinícius Guimarães. Ele afirmou também que não conhecia nem pagou qualquer valor ao ex-coordenador da Dívida Pública de Prefeitura de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, apontado como um dos principais envolvidos no esquema. A CPI pediu a quebra de sigilo bancário e fiscal de Marcus Vinícius Guimarães.
Assembléia de Mato Grosso decide criar CPI dos títulos
A Assembléia Legislativa de Mato Grosso decidiu pela criação de uma CPI para investigar a emissão de 5.000 debêntures da Cemat (Centrais Elétricas Mato-grossenses). O Banco Vetor, além de participar da operação de emissão dos papéis, em dezembro de 94, por uma comissão de 1,5% sobre o valor global das vendas, também aparece como comprador de pelo menos R$ 7,3 milhões em papéis com deságio de até 12,5%.
CPI descobre novas contas no exterior
Paraguai cria 'CPI' para investigar 'lavagem'
Agência Folha/AJB 12/03/97 20h52
De Brasília e Florianópolis
A CPI dos Precatórios começou a investigar mais três contas bancárias no exterior mantidas por supostos envolvidos no esquema dos títulos públicos. Duas contas seriam em agência do Citibank nos Estados Unidos. Estariam ligadas ao suposto esquema de emissão de debêntures (títulos de empresas privadas ou estatais) no Paraná. O senador Bernardo Cabral (PFL-AM) recebeu relatório do Banco Central sobre uma terceira conta, na cidade de Houston, Estados Unidos, ligada ao Banco Vetor.
A conta do Banco Vetor, Fábio Barreto Nahoum, no Nations Bank of Texas, em Houston, teria sido encontrada pelo Banco Central, durante o processo de liquidação do Vetor, nos papéis que estavam dentro do cofre particular do banqueiro. Os integrantes da CPI acreditam que era para esta conta que Fábio Nahoum enviava os lucros obtidos com as operações de lançamentos de títulos públicos. O senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) vai pedir ao banqueiro que envie à CPI extratos desta conta.
A anotação encontrada no cofre é a seguinte: "A minha conta no Nations Bank de Houston é a seguinte: Nations Bank os Texas, N.A. 700 Lousiana - 31 ST Floor. Houston, Texas 77002. Preferred Money Market. Account 414-756691-3. Magda Fanni de Torelli or Valeria Torreli Fanni. Attention: Lizete Ortiz - IPB. Tel. (210) 7227611." Na mesma folha, abaixo, outra anotação: "Ag. Miami 305 864 9627".
Em depoimento à CPI, o banqueiro Fábio Nahoum negou que a conta fosse sua, afirmando que a titular é sua prima, Magda Nahoum Torelli, e que os recursos remetidos ao Nations Bank foram obtidos na venda de um apartamento de Magda no Rio de Janeiro, localizado na lagoa Rodrigo de Freitas. Nahoum disse ser procurador de Magda, que de acordo com ele é viúva, reside no México há 25 anos, razão pela qual possui uma conta bancária nos Estados Unidos.
Ele ainda informou que Valéria Torelli é filha de Magda. O banqueiro garantiu que seu advogado, José Carlos Osório, providenciará o envio dos documentos comprovando a transação com o imóvel e a remessa regular dos recursos para a conta de Magna Torelli à CPI até, no máximo, sexta-feira. "Nós já sabiamos que ele iria dizer isso, pois está brincando de gato e rato conosco", afirmou o relator da CPI, senador Roberto Requião (PMDB-PR).
As contas do Citibank seriam de funcionários do Banestado
As contas do Citibank seriam de funcionários do Banestado, o banco estadual do Paraná. Uma das contas teria o número P5120MPE e seria mantida por José Édson Carneiro Souza, com saldo de US$ 1,528 milhão. A outra conta teria o número P6120MPS e seria mantida por Luiz Antônio Lima, com saldo de US$ 1,698 milhão. Requião deverá solicitar diligências à CPI para confirmar se essas duas contas estão relacionadas à emissão de debêntures da Banestado Leasing e Corretora Banestado.
IBF Factoring, uma das "laranjas" do esquema com títulos.
A CPI tem indícios de que cerca de R$ 300 milhões desses títulos tenham sido comprados pela distribuidora Boa Safra. A suspeita é de que as contas nos Estados Unidos tenham recebido parte dos lucros obtidos na operação. A Boa Safra é propriedade de Fausto Solano Pereira, ouvido por ter recebido um cheque de R$ 7,86 milhões da IBF Factoring, uma das "laranjas" do esquema com títulos.
A IBF Factoring, empresa de "fachada", "adquiria" títulos da dívida pública e, posteriormente, por meio de "vendas" os repassava à empresa Split Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda
CPI do Senado Federal sobre os precatórios quanto dos levantamentos do Banco Central do Brasil, da Receita Federal e das apurações realizadas pela Polícia Federal eram sócios Ibraim Borges Filho, Enrico Picciotto, Francisco Carlos Geraldo Calandri Guimarães e Sérgio Chiamarelli Júnior.
http://expresso-noticia.jusbrasil.com.br/noticias/142384/empresario-condenado-por-usar-empresa-de-fachada
Ibrahim Borges enquadrado na Lei do Colarinho Branco
confessa à CPI lucro de R$ 100 milhões com a negociação dos títulos
O escândalo dos precatórios, que veio à tona na gestão do então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, O secretário de finanças à época era Celso Pitta, pelo menos R$ 400 milhões foram desviados. 
http://direito-publico.jusbrasil.com.br/noticias/1582973/escandalo-dos-precatorios-empresarios-sao-condenados-por-gestao-fraudulenta
Governo de Pernambuco teria consultado Pitta
No final de 1995, representantes do governo pernambucano se reuniram com o então secretário das Finanças da Prefeitura de São Paulo, Celso Pitta, em busca de informações. O fato foi revelado pelo empresário Fábio Nahoum à CPI. "Eles queriam saber se a nossa proposta tinha procedência", disse Nahoum, em referência ao então secretário da Fazenda de Pernambuco, Pedro Eugênio, e a Eduardo Campos, neto do governador Miguel Arraes e atual secretário.
Os dois teriam se reunido com Pitta, na época superior hierárquico de Wagner Ramos, então coordenador da Dívida Pública do município. Ramos é apontado como mentor do esquema irregular de comercialização de títulos de Estados e municípios. Nahoum reconheceu que a instituição não detinha conhecimentos sobre precatórios (dívidas judiciais) quando se ofereceu para fazer a emissão de títulos de Pernambuco.
HC 86.281 e 86.489  Ministro Cezar Peluso libera da pena os corruptos dos precatórios

Acusados de sonegação fiscal trancam ação penal no STF
Três empresários acusados de sonegação fiscal conseguiram anular Ação Penal contra eles. A decisão é da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Foram beneficiados os empresários Enrico Picciotto e Francisco Carlos Geraldo Calandrini Guimarães, da corretora Split, e Ibraim Borges Filho, ex-dono da empresa de factoring IBF. Eles teriam sonegados mais de R$ 60 milhões.
A acusação contra eles surgiu no chamado escândalo dos precatórios, em 1997, investigado pela CPI dos Precatórios, Receita Federal e Banco Central.
Segundo o relator do pedido de Habeas Corpus no Supremo, ministro Cezar Peluso, o Conselho de Contribuintes, órgão do Ministério da Fazenda, atestou que não existe o imposto sonegado pelos empresários. Noutras palavras, o credor disse que não tem crédito", disse o ministro. "Como recolher um crédito que o próprio credor diz que não existe?, questionou ele.
Peluso acrescentou que o STF tem jurisprudência pacífica no sentido de que não se pode alegar a existência de crime contra a ordem tributária quando a apuração do crédito está pendente na instância administrativa. O ministro lembrou que já foi feita proposta de se editar uma Súmula Vinculante sobre a matéria.
Os empresários foram absolvidos na primeira instância, mas condenados pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (SP e MS). Segundo a denúncia, a empresa de Borges Filho comprava títulos da dívida pública de maneira fictícia para vendê-los à empresa Split, reduzindo o pagamento do imposto de renda e de contribuição social.
http://www.fesdt.org.br/web2012/noticia_det.php?id=4905
A fórmula para calcular o total de precatórios devidos pelos Estados
Na mesma época, porém, Wagner Ramos fez uma declaração escrita afirmando que o Vetor detinha "ampla experiência e notório saber" sobre as negociações. A declaração foi anexada à proposta feita ao governo pernambucano e ajudou o banco a fechar o contrato, pelo qual ganhou R$ 22,13 milhões.
"Quero entender essa contradição. Há uma carta do senhor Wagner Ramos, dizendo que o banco tinha ampla experiência, e o senhor diz que o banco não detinha tecnologia para a operação", disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), relator da CPI, durante o depoimento de Nahoum. O empresário respondeu que, quando Wagner Ramos assinou a declaração, já havia um acerto verbal para que ele próprio assessorasse o banco nas operações. Na verdade, a "ampla experiência e notório saber" seriam de Ramos, e não do Vetor.
"Sabíamos que Wagner Ramos havia assessorado a emissão de títulos do Estado de Alagoas e o procuramos", disse Nahoum. Segundo o empresário, somente Ramos detinha o conhecimento sobre a fórmula para calcular o total de precatórios devidos pelos Estados. A Constituição só permite a emissão de títulos por Estados e Municípios para pagar precatórios.
Porém, tanto Pernambuco quanto Santa Catarina -dois Estados em que o Vetor operou- emitiram títulos em valor superior ao das dívidas judiciais. O dinheiro excedente foi aplicado em pagamento de salários e outras despesas correntes, o que contraria a Constituição.
Fábio Nahoum afirmou que partiu do banco Vetor a sugestão para que Pernambuco emitisse os títulos. O contato entre o banco e o governo teria sido feito por Ronaldo Ganon, um dos diretores da instituição. Nesse momento, Requião procurou explorar uma suposta contradição. Segundo o relator, o secretário da Fazenda de Pernambuco, Eduardo Campos, disse que a sugestão para que o Vetor fizesse a operação partiu de Wagner Ramos. A afirmação foi contestada por Nahoum. Segundo o empresário, as autoridades de Pernambuco somente teriam buscado contato com Ramos depois de procuradas pelo Vetor.
Rastreamento de cheques revela 'fantasmas'
A CPI está com dificuldades para finalizar o rastreamento dos 201 cheques emitidos pela IBF Factoring para cerca de 180 pessoas. Os técnicos que auxiliam a CPI descobriram que pelo menos cem dos destinatários são "fantasmas". Ou seja, a maior parte das pessoas citadas nos cheques da IBF -que totalizam R$ 123 milhões- ou simplesmente não existe ou forneceu endereços falsos às agências bancárias que efetuaram os depósitos dos cheques da IBF.
Os recursos movimentados pela IBF Factoring na agência paulistana do Banco Dimensão são o resultado do lucro obtido pela empresa na intermediação de operações de compra e venda de títulos públicos.
O rastreamento desses cheques é considerado essencial para os trabalhos da CPI, pois é preciso saber quem recebeu o dinheiro obtido nas operações irregulares que estão sendo investigadas. Até agora, a CPI já conseguiu desvendar o esquema de intermediação envolvendo os títulos, mas não consegue saber quem ficou com o lucrou das operações.
Segundo a Polícia Federal, o empresário Ibraim Borges Filho, dono da IBF Factoring, ficou com apenas R$ 80 mil dos R$ 123 milhões movimentados em sua conta bancária do Dimensão. Dos não-fantasmas que receberam cheques da IBF, o mais notório é Fausto Solano Pereira, dono da distribuidora Boa Safra. Pereira recebeu um cheque de R$ 9,76 milhões. Em depoimento à CPI, porém, ele negou qualquer contato com a IBF, em depoimento considerado "inverossímil" pelos senadores.
Congresso paraguaio cria 'CPI'
O Congresso paraguaio criou na segunda-feira uma Comisión Bicameral de Investigación (equivalente da CPI no Brasil) para apurar o envolvimento de bancos e casas de câmbio do país na lavagem do dinheiro obtido pelo esquema que negociava irregularmente os títulos públicos no Brasil.
19.02.97, em que depôs na CPI. Na quinta, uma equipe da assessoria da CPI dirigiu-se a São Paulo na companhia do depoente, e, com autorização deste, realizou diligente busca em todos os recantos da residência e escritório do depoente, não encontrando um único indício de que o mesmo de fato administrava os recursos da IBF.
Os únicos documentos obtidos, e espontaneamente entregues à assessoria, foram um relatório emitido pela CETIP com todas as operações da IBF no ano de 1996 (a data da emissão era posterior ao início da CPI e a listagem, segundo o Sr. Ibrahim, havia sido requerida pelo mesmo para saber que teriam feito com o nome da IBF) e os extratos de uma conta no Banco Rural e no Banestado.
A CPI recebeu a cópia dos 201 cheques emitidos (listagem anexada, referida nos DOCUMENTOS COMPLEMENTARES - VOL. IV, Nº 06) e dois originais. Cuidou-se, ainda, de reter as duas máquinas de escrever para exame mecanográfico, cujo laudo aponta para a impossibilidade de aqueles cheques terem sido datilografados naquelas máquinas.
Contador e administradores da Factoring chamados a depor
No dia 20.02.97, chamado a depor na Polícia Federal de São Paulo sobre a contabilidade da IBF, seu contador, Sr. Lúcio Dias, afirmou que recebeu os livros já prontos para a encadernação, confirmando a versão do Sr. Ibrahim (ver DOCUMENTOS COMPLEMENTARES - VOL. III).
Seguiram-se vários depoi-mentos sobre a verdadeira administração dos recursos que transitaram pela IBF. Os empregados da Split confirmaram rigorosamente as declarações do Sr. Ibrahim, como é o caso do "office-boy" Sandro Luiz Cipriano, que, em depoimento prestado à Polícia Federal de São Paulo, afirmou: "QUE, perguntado sobre suas eventuais atividades junto à IBF FACTORING LTDA., disse: "EU PRESTEI ALGUNS SERVIÇOS PARA A IBF, TAIS COMO: EU IA RETIRAR TALÕES DE CHEQUE E OS ENTREGAVA PARA A DALVA GONÇALVES, A QUAL ERA SECRETÁRIA DA SPLIT. EU RECEBIA ORDENS DA DALVA PARA RETIRAR OS TALÕES NO BANCO DIMENSÃO, DA AGÊNCIA ITAIM. EU FUI UMAS TRÊS OU QUATRO VEZES AO BANCO DIMENSÃO RETIRAR OS TALÕES PARA A IBF, SENDO CERTO QUE EU assinava as requisições junto ao DIMENSÃO. Eu levava as requisições assinada pelo sócio da IBF, IBRAHIN BORGES FILHO, sendo que os talonários eram retirados no balcão do banco, normalmente. eu retirei uma média de cinco a seis talonários da IBF NO DIMENSÃO e os entreguei para a secretária DALVA, no interior da SPLIT. EU não recebi nenhum pagamento ou comissões da IBF, mas apenas o meu salário da SPLIT";... . QUE, não recebia importância extras além daquela percebida como remuneração na SPLIT; que, não recebeu, em momento algum, pagamento pela IBF ou por parte do Sr. IBRAHIM Borges Filho; QUE, seu advogado é contratado pela SPLIT."
No mesmo sentido caminharam os depoimentos dos outros dois funcionários Alex Sandro Sá Teles dos Santos e Dalva Gonçalves de Carvalho, acrescentando, esta última, detalhes expressivos quanto aos cheques da IBF e a ligação entre o nome IBF e o Sr. Pedro Antônio Mammana Moquedace:
"QUE, indagada de eventual relação social, societária, comercial ou financeira entre a SPLIT-DTVM e a IBF FACTORING LTDA., seus sócios, diretores ou procuradores com a Depoente, disse: "POSSIVELMENTE, CONTATOS TELEFÔNICOS ENTRE SÉRGIO CHIAMARELLI E PEDRO MAMMANA MOQUEDACE, REALIZANDO-OS DO PRIMEIRO PARA O SEGUNDO. TUDO O QUE EU FAZIA ERA SEMPRE POR ORDEM DE SÉRGIO CHIAMARELLI. EU recebia requisições para retirada de talonários de cheques do BANCO DIMENSÃO, JÁ ASSINADAS POR ENRICO PICCIOTTO E IBRAHIM BORGES FILHO, O PRIMEIRO PELA SPLIT E O SEGUNDO PELA IBF. AS REQUISIÇÕES ERAM PREENCHIDAS PELOS OFFICE BOYS ALEX SANDRO SÁ TELES DOS SANTOS E SANDRO CIPRIANO. EU RECEBIA ESSAS REQUISIÇÕES DAS MÃOS DE Sérgio Chiamarelli e quando chegavam os talonários da IBF, DO BANCO DIMENSÃO, eu os entregava todos para o SÉRGIO, ENQUANTO QUE OS DA SPLIT, eu os guardava num cofre de minha responsabilidade. EU RECEBI REQUISIÇÕES DA IBF E, POSTERIORMENTE, os talonários de cheques, no mínimo por três vezes, cada vez com cerca de três talonários, o que totalizaria um máximo de dez talões, pelo que me recordo no momento."
Depoente comete erro
Quanto ao preenchimento dos cheques da IBF (observando-se que a depoente comete erro lógico ao citar Split como IBF) declara:
"EU recebia todos os dados para o preenchimento dos cheques da split em uma folha de papel comum das mãos de SÉRGIO CHIAMARELLI, tais como: valores e os nomes dos beneficiários e/ou favorecidos. depois de datilografados, os cheques eram devolvidos para o SÉRGIO. PORTANTO, eu não conheço e nem nunca vi nenhum beneficiário dos cheques emitidos pela IBF. ESSES cheques eram datilografados numa máquina ibm eletrônica, pertencente à SPLIT. COM relação à emissão dos cheques da split, a rotina era a de praxe e estilo, diferentemente da esporádica rotina de emissão dos cheques da IBF, pois aqueles decorriam de documentos provindos da contabilidade da distribuidora, sem interferência do SÉRGIO, por ser trabalho de minha atividade diária. AFIRMO, também, que, tanto os cheques da SPLIT COMO OS ESPORÁDICOS CHEQUES DA IBF, ERAM DATILOGRAFADOS NAQUELA MESMA MÁQUINA IBM. COM RELAÇÃO À IBRAHIM BORGES FILHO, EU POSSO AFIRMAR QUE O MESMO ESTEVE NO ESCRITÓRIO DA SPLIT POR CERCA DE DUAS OU TRÊS VEZES, PELO QUE ME RECORDO, TENDO SE REUNIDO DIRETAMENTE COM SÉRGIO CHIAMARELLI, MAS EU NÃO SEI NADA DO ASSUNTO TRATADO. QUANDO A SPLIT PRECISAVA CONTACTAR COM A IBF, O SÉRGIO PEDIA PARA EU TELEFONAR PARA O PEDRO MAMMANA MOQUEDACE, NO TELEFONE DA EMPRESA 'COBERTEC', CUJO NÚMERO NÃO ME RECORDO. O PEDRO ERA O INTERMEDIÁRIO ENTRE O SÉRGIO, DA SPLIT, E O IBRAHIM, DA IBF. EU NÃO VI O IBRAHIM ENTRAR EM CONTATO COM ENRICO PICCIOTTO, MAS, TÃO SOMENTE, COM SÉRGIO. EU NÃO FAZIA LIGAÇÕES TELEFÔNICAS PARA O IBRAHIM, POIS O CONTATO, COMO DITO, ERA COM O PEDRO (COBERTEC)...."
Factoring e Legislação Brasileira
1998 - Tendo em vista o aumento nos últimos anos dos crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores, foi editada, em 03 de março de 1998, a Lei nº 9613, que visa não só à coibição ou ao refreamento deste tipo de crime , mas também cabe a ela prevenir sobre a utilização do sistema financeiro para esta prática e, para tanto, cria o Conselho de Atividades Financeiras (COAF).

Decisão condenatória dos precatórios judiciais de SP - http://www.conjur.com.br/2000-dez-06/conheca_decisao_condenatoria_precatorios_sp_1

  • Mesmo com toda a roubalheira governamental, o PGR (Procurador Geral da República) ENGAVETOU os processos de corrupção dos Precatórios movidos contra o governo FHC,  o Ministro Cezar Peluzo os absolveu com dois HC, levando os velhinhos servidores públicos  suas precatórias em seus caixões, sem receberem dos Estados seus numerários em vida.

Banco Popular do Brasil o Banco do Trabalhador

Genérico de Delúbio
Ivan Guimarães ajudou seu mentor a navegar no caixa do Banco do Brasil
Marisa Cauduro/Cia de Fotos/Ag. O Globo
O NÚMERO 2 DE DELÚBIOEm retribuição ao trabalho na campanha de 2002, Ivan "ganhou" seu próprio banco e fez negócios com a agência do empresário Marcos Valério

VEJA revelou na semana passada que Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, mandou seu contínuo buscar uma sacola com 326 000 reais da conta da DNA propaganda, uma das agências de publicidade de Marcos Valério, o operador do mensalão. Influente no mundo financeiro, Pizzolato era peça vital, mas não a única, da fantástica fábrica de dinheiro do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Em meio à inesgotável lista de envolvidos no esquema de arrecadação petista, deve-se ressaltar o economista Ivan Guimarães, subtesoureiro do PT durante a campanha presidencial de 2002. Na prática, Ivan era uma espécie de genérico de Delúbio. Terrível na arte de buscar dinheiro junto a banqueiros, cumpriu com dedicação a árdua tarefa de, sabe-se hoje, abarrotar o(s) caixa(s) do partido para financiar a campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Missão cumprida, ganhou em março de 2003 o cargo de assessor especial do ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb, mas não se contentou com os limites estreitos da função. Passou a perseguir novos negócios, em sociedade com um amigo que lhe fora apresentado por Delúbio: o empresário mineiro Marcos Valério. Juntos, Ivan e Valério percorreram os corredores do Congresso e de ministérios em defesa de missões pouco ortodoxas. Numa delas tiveram a desfaçatez de pressionar funcionários do Banco Central a decidir em favor de bancos falidos com pendências bilionárias no órgão. Fracassaram. 
No segundo semestre de 2003, meteram-se numa empreitada ainda mais ousada. Talvez influenciados pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht, para quem crime não é assaltar um banco, mas fundar um, propuseram a criação de duas novas instituições financeiras, uma privada, outra pública. A pública nasceu em setembro de 2003, com a criação do Banco Popular do Brasil, braço do Banco do Brasil cuja função é emprestar dinheiro à população de baixa renda. Ivan foi logo nomeado para a presidência da nova instituição, da qual foi escorraçado um ano e sete meses depois, deixando um legado cômico e triste. Sob sua administração, o Banco Popular do Brasil injetou mais dinheiro na agência de publicidade de Marcos Valério do que nas contas de seus pobres clientes. A DNA propaganda, de Valério, recebeu 24 milhões de reais para gastar com publicidade. Ao cerca de 1 milhão de clientes do Banco Popular do Brasil Ivan destinou 20 milhões.
Clayton de Souza/Diário SP/Ag. O Globo

PROPAGANDA POPULAR
Banco presidido por Ivan deu mais dinheiro a Valério do que aos clientes pobres

Ivan, Delúbio, Pizzolato e Valério também sonhavam com a criação de uma instituição financeira privada – o Banco do Trabalhador, que centralizaria a movimentação bancária de todos os sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores sob a supervisão e com o suporte do Banco Rural. A idéia foi abandonada quando José Dumont, ex-vice-presidente do Rural, morreu, em um acidente de automóvel, levando junto os sonhos de Delúbio e de seus genéricos. Ah, sim, Ivan dirige um Land Rover.

O petróleo é deles


Como o lobista Fernando Moura, representante de José Dirceu e Silvio Pereira, intermediou negócios na Petrobras

Felipe Patury e Francisco Mendes
Sergio Dutti/AE
O HOMEM DO PT NA PETROBRASAmigo de José Dirceu, Fernando Moura chegou a entrevistar candidatos para dirigir a estatal, ao lado de Silvio Pereira. Depois, defendeu os interesses da GDK, da Alpina e da Fels Setal junto à empresa
NESTA EDIÇÃO
Tempos sombrios
A chantagem
A reação
A farsa
O resultado
Fábrica de fraudes
Está na cara
O petróleo é deles
Genérico de Delúbio
Tem até um lado humano!
24 horas de olho neles

A Petrobras é a maior fonte de negócios do governo. Investe por ano 22 bilhões de reais. Tanto dinheiro atiçou o PT, que avançou sobre a estatal com a voracidade de quem descobre um campo de petróleo. Nos últimos anos, algumas das polpudas transações feitas pela empresa passaram pelos amigos do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. No início de 2003, ele incumbiu o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira de selecionar os candidatos a cargos de direção na estatal. Essa tarefa garantiu a Silvinho especial autoridade sobre o diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, indicado para o posto por outro amigo e representante de Dirceu, o lobista Fernando Moura. Dois parlamentares e quinze empresários contaram a VEJA como Silvinho e Moura intermediaram o trânsito de empresas privadas na Petrobras. Entre elas, a baiana GDK, que deu a Silvinho um Land Rover de 73.500 reais. Na semana passada, o caso veio a público e Silvinho acabou se desfiliando do PT. Não sem antes proclamar que continuará a ser "um lutador social, nessa hora em que as forças conservadoras se aproveitam para sitiar o governo Lula". A "luta" de Silvinho, na verdade, foi nas colunas sociais, que passou a freqüentar quando o PT chegou ao poder.

Dida Sampaio/AE

SILVINHO E SEU CARRÃOO ex-secretário do PT ajudou a GDK a ganhar 512 milhões de reais em 2004. Agradecida, a empresa deu-lhe um Land Rover de 73 500 reais
A GDK começou a prestar serviços à Petrobras em 1994. Deslanchou em 2002, quando seu dono, César Oliveira, conheceu Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique, e David Zylberstajn, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo. Naquele ano, os contratos da GDK com a estatal saltaram de 126 para 430 milhões de reais. A amizade com os tucanos se transformou em desvantagem quando Lula assumiu. No primeiro ano do governo petista, os contratos da empresa com a Petrobras encolheram 34%. Para evitar maiores perdas, a GDK contratou em março de 2003 uma dupla de lobistas. Eles entraram no jogo e a empresa conseguiu o apoio do atual ministro da Coordenação Política, Jaques Wagner – do qual Oliveira havia sido o principal financiador na campanha de 2002 para governador da Bahia. O ministro hoje tem uma filha empregada na GDK e Oliveira furou o bloqueio imposto à empresa por Moura e Silvinho. Marcou um encontro com Moura em abril de 2003 e outro, três meses depois, com Silvinho.
Depois das conversas com os representantes de José Dirceu, a GDK recuperou seu espaço na Petrobras. E como! Seus contratos atingiram 512 milhões de reais em 2004. O principal deles, de 240 milhões de reais, foi a reforma da plataforma P-34. A GDK cometeu um erro formal em sua proposta, não tinha atestado ambiental e participou da licitação mesmo sem constar do cadastro de serviços de plataformas. Eram motivos suficientes para que fosse descartada. Não foi. Oliveira ficou grato a Silvinho e a Moura. Ao primeiro deu, pelo menos, o tal Land Rover. Ao segundo, pelo menos, abrigo na hora do aperto. Moura mantinha um apartamento em Brasília até a erupção do escândalo Waldomiro Diniz. Depois disso, passou a despachar no escritório da GDK no Rio. De lá, Moura defendeu os interesses de outra empresa na Petrobras. Em 2000, no governo FHC, a Alpina firmou um contrato de segurança ambiental que lhe renderá 160 milhões de reais. Como o contrato vence em 2006, a empresa terá de participar de nova licitação. Moura luta para que ela concretize seus objetivos. 


Bruno Spada/ABR
TOMA LÁ, DÁ AQUIA GDK pagou a campanha de Jaques Wagner e empregou sua filha. Em troca, ele a reaproximou do governo

No início do governo Lula, o estaleiro Fels Setal também pediu ajuda a Moura e Silvinho. A empresa é uma associação entre o Fels, de Cingapura, e a Setal brasileira. Em 2002, ganhou a licitação para construir a plataforma P-51. A concorrência foi anulada pelo governo petista, que abriu nova licitação. A Setal estava, então, com um problema para ganhar a disputa: enfrentava na Justiça pedidos de falência. Recorreu a Moura. Em maio de 2003, ele apresentou Roberto e Augusto Mendonça, sócios do estaleiro, a Silvinho. Num passe de mágica, ganharam não só a P-51 como também a P-52. As duas obras renderão 4 bilhões de reais. O estaleiro Mauá Jurong registrou em cartório uma proposta para fazer as obras por 600 milhões de reais a menos, mas foi desclassificado. Depois que ganharam as licitações, os irmãos Mendonça venderam a Setal para os sócios de Cingapura. A GDK, a Alpina e o Fels Setal estão na alçada da diretoria de Renato Duque, o indicado pela dupla dinâmica Moura/Silvinho. Por meio de sua assessoria, ele diz que não é apadrinhado dos representantes de Dirceu e que nunca discutiu os casos dessas empresas nos seus muitos encontros com Silvinho. A Petrobras diz que a GDK também faturava alto no governo tucano e que a renovação do contrato com a Alpina não está decidida. Afirma ainda que não houve prejuízo no caso do Fels Setal. Desde que estourou o escândalo dos Correios, Moura desfruta o doce caviar do exílio. Pode ser encontrado em Paris. Petista chique é outra coisa.
Edição 1915 . 27 de julho de 2005 Veja On-Line

Fábrica de fraudes do PT


Brasil
Em meio a saques, malas e carros-fortes,tudo parece casual. Mas nada é por acaso no laboratório do PT
http://veja.abril.com.br/270705/p_066.html
Edição 1915 . 27 de julho de 2005
A Alquimia de Valério para fazer o mensalão e o Mesadão do PT

http://veja.abril.com.br/270705/popup_alquimia.html

A farsa
De como Delúbio e Valério caem na tese do crime eleitoral e o marqueteiro-mor ensaia o discurso do presidente Lula


Fotos reprodução de TV/Ag. O Globo e Monica Zarattini/AE- Edição 1915 . 27 de julho de 2005 Veja On-Line http://veja.abril.com.br/270705/p_062.html


Banestado - A conexão Rural-PT-doleiros


Outro caso escandaloso de corrupção  
Resultado de imagem para Rural no Trade Link Bank
ESTÁ TUDO NO PAPEL

Guilherme Rabello, diretor do Rural, é autorizado a mexer com o dinheiro do Trade Link, 
Resultado de imagem para Bc. Rural  e Lula
SIMPLES, NÃO!!!
Há um mês, quando o mensalão era só uma suspeita, uma empresa com nome estrangeiro surgiu em meio ao escândalo – o Trade Link Bank. Rui Vicentini, ex-tesoureiro do PPS, revelou ao jornal O Estado de S. Paulo ter ouvido do doleiro Antonio Claramunt, conhecido como Toninho da Barcelona, uma confissão séria. O doleiro dissera que operava um esquema clandestino pelo qual o PT mandava e recebia dinheiro do exterior de forma ilegal. "Levantei a operação. Marquei o nome Trade Link Bank. O dinheiro ia para Miami e voltava pela conta do pessoal no Banco Rural", disse o tesoureiro do PPS, partido que, até seis meses atrás, fazia parte da base de apoio ao governo petista. Desde então, o Rural tem se esforçado para distanciar-se o máximo possível do Trade Link Bank. Numa nota oficial, publicada nos principais jornais do país há três semanas, o banco chegou a afirmar que "não há participação societária do Rural no Trade Link Bank". Não há mesmo, mas essa é a parte pública. O pedaço subterrâneo mostra que o Trade Link tem ligações irrefutáveis com o Rural e funcionava, na prática, como um ninho de doleiros.
Criado nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal do Caribe, o Trade Link instalou sua base de operações nos Estados Unidos, mas chegou a ter atividades no Brasil. No dia 19 de abril de 1998, por exemplo, a diretoria do Trade Link fez uma reunião, com ata e tudo, em Belo Horizonte. VEJA teve acesso à ata. Nela, lê-se que a reunião da cúpula do Trade Link foi realizada no seguinte endereço: Rua Rio de Janeiro, 927, Belo Horizonte. É um edifício que pertence ao Rural e abriga a sede do banco, na capital mineira. Quem assina a ata é o senhor Sabino Correa Rabello, o fundador do Rural, falecido no início deste ano.
Até poucos meses atrás, a sede do Trade Link nos Estados Unidos ficava no mesmo endereço da subsidiária americana do Rural, a Rural Securities. Ambas estavam instaladas no mesmo andar de um luxuoso edifício comercial, o Wachovia Financial Center, na região central de Miami, na Flórida. A placa do Trade Link, que ficava lado a lado com a que identificava a Rural Securities, foi arrancada há quatro meses. Mas isso está longe de apagar as digitais do Rural. VEJA também teve acesso ao documento que serve como cartão de assinaturas da pessoa autorizada a movimentar o dinheiro da empresa. No cartão está a assinatura de Guilherme Rocha Rabello, diretor do Rural em Belo Horizonte e primo da atual presidente do banco, Kátia Rabello.
Uma das contas bancárias do Trade Link que o diretor do Rural podia movimentar ficava na tristemente famosa agência do Banestado de Nova York. Por essa conta passaram 700 milhões de dólares em menos de dois anos. Em 2002, quando a Polícia Federal começou a investigar a farra das remessas ilegais para o Banestado de Nova York, descobriu-se que o Trade Link usava suas contas bancárias para hospedar dinheiro que saía ilegalmente do Brasil. Era um ninho dos doleiros. O Trade Link tinha contas clandestinas no Standard Chartered, no UBS e no Bank of America, além do Banestado. Só da conta no Banestado, franqueada aos doleiros, saíram quase 60 milhões de dólares num único dia, e o destino era uma conta do Rural International Bank. Outra empresa do grupo, a IFE Rural, subsidiária do grupo no Uruguai, recebeu 11 milhões de dólares numa operação. Tudo ali era vultoso, oculto e sempre enlaçado ao Rural de Belo Horizonte.
Em depoimento sigiloso, transcrito em quatro páginas, o doleiro Alberto Youssef, um dos maiores do país, detalhou ao juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Federal de Curitiba, como funcionava o esquema do Rural para mandar dinheiro ilegalmente para fora do país. Ele disse ter criado contas em nome de laranjas, contou que as operações eram do conhecimento de executivos do Rural e deu até o nome de seus interlocutores em Belo Horizonte: José Augusto Dumont, vice-presidente falecido em abril de 2004, e José Roberto Salgado, o atual vice-presidente da instituição. "Várias operações de clientes do Rural que precisavam colocar dinheiro lá fora eram feitas comigo", confessou Youssef. O Banco Rural nega.
O doleiro Toninho da Barcelona, que teria operado o esquema do PT no exterior, é acusado de movimentar ilegalmente 190 milhões de dólares nos Estados Unidos. Ele foi preso durante a Operação Farol da Colina, às vésperas da eleição municipal. Nessa operação, foram presos 62 doleiros, quase todos clientes do Trade Link. Outra coincidência: num de seus depoimentos na Câmara, Roberto Jefferson contou que o PT ficou de lhe dar 20 milhões de reais, mas entregou apenas 4 milhões – e Jefferson foi cobrar o resto. O então ministro José Dirceu explicou que o PT estava com o caixa no vermelho com as seguintes palavras: "Roberto, a Polícia Federal é meio tucana. Botou em cana 62 doleiros agora, véspera de eleição. A turma que ajuda não está podendo internar dinheiro no Brasil".
Edição 1915 . 27 de julho de 2005 Mario Sabino -Veja OnLine

Jader Barbalho do Pará sócio de fraudador da Sudam acusado de desviar bilhões de reais.

O documentário americano Manda Bala (Send a Bullet no original em inglês) retrata as raízes da violência na corrupção no Brasil — para tanto tem como um de seus personagens retratados, entre outros, o então Senador Jader Barbalho. O documentário mostra seu poder político, sua influência nos meios de comunicação do Pará e seu envolvimento no escândalo da SUDAM.

Barbalho renunciou ao mandato no Senado para escapar de um processo de cassação por suspeita de desvio de recursos do Banpará e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). (Desvio bilionário)

Com a renúncia, Barbalho perde o foro privilegiado. Por isso, todos os processos que correm contra ele – cinco ações penais, três inquéritos e uma ação por improbidade – descem para instâncias inferiores. Se não for condenado em órgão colegiado até 2014, porém, ele poderá disputar novamente as eleições. 


O QUE ELE QUER MESMO É TENTAR VOLTAR A COMANDAR, SE ROUBOU UMA VEZ E NADA ACONTECEU, VAI FAZER DE NOVO, POR INTERMÉDIO DE OUTROS, ACREDITEM!       



Em meio a tantos fatos envolvendo a posse de Jader Barbalho, a única, e verdadeira, novidade foi o flagra de uma pequena joia na língua de seu filho de apenas 9 anos durante coletiva de imprensa. ( Que vergonha, tal pai, tal filho)


Na estante 00005, prateleira 00001, caixa 1 876, o BC mantém escondido relatório que mostra que Jader Barbalho surrupiou 10 milhões do Banpará.

O presidente do Senado: negóciou de 1,7 milhão com o mais notório dos fraudadores.

Helder, sua mulher Daniela, Jader e Elcione Barbalho
Ele fornece uma boa pista para explicar um mistério: a origem da fortuna de 30 milhões de reais do ex-presidente do Congresso, senador Jader Barbalho, do PMDB do Pará. O documento é um processo instaurado pelo Banco Central em 29 de julho de 1990 sob o número 9200047419. Tem 2.509 páginas, distribuídas em nove volumes. Sua leitura mostra que o então governador do Pará, Jader Barbalho, despachava dinheiro público depositado no banco oficial do Estado, o Banpará, para uma conta remunerada, aberta numa agência do Banco Itaú, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. 

Nessa conta, numa época de inflação alta em que o repouso noturno de um grande volume já gerava lucros polpudos, o dinheiro rendia juros – mas o rendimento não voltava para o Banpará em Belém, como seria o correto. Da conta do Itaú, aberta em nome do "portador", os lucros eram distribuídos para empresas (todas pertencentes ao então governador Jader Barbalho) e pessoas (quase todas parentes do então governador Jader Barbalho).

Outro processo, de número 9200047391, e sinalizava que a tramoia teria rendido em torno de 1 milhão de reais, em valores de hoje, mas os auditores, gentilmente convidados pela direção do BC na época, chegaram a escrever que não havia "provas robustas e consistentes contra Jader Barbalho". Agora, o relatório de 2.509 páginas traz a versão completa do caso. Mostra que o golpe não rendeu 1 milhão, mas sim 10 milhões de reais – o equivalente a um terço da fortuna visível de Jader. E não há mais dúvida alguma sobre os beneficiários da falcatrua: os lucros foram depositados em contas bancárias do próprio Jader (uma no Itaú mesmo e outra no Citibank), de sua então mulher, a hoje deputada Elcione Barbalho, de seu pai, Laércio, de sua televisão, sua rádio, seu jornal e sua fazenda, além de uma dezena de pessoas que os auditores apontam como laranjas.


Os fiscais descobriram que a conta-mãe foi aberta pelo próprio Jader. Contam que o então governador foi apresentado ao gerente da agência do Itaú pelo ator Lúcio Mauro, o Fernandinho da Ofélia, do programa Zorra Total, da Rede Globo, que é parente de Jader. O processo contém um anexo com um fluxograma da fraude, mostrando todo o caminho que o dinheiro roubado seguiu durante quatro anos. Ao avaliarem a íntegra da movimentação financeira, os auditores descobriram que a conta do Itaú alimentava a extensa rede da família Barbalho com depósitos mais ou menos modestos. O mais robusto de todos saiu do Itaú e foi parar numa conta de Jader no Citibank, também no Rio de Janeiro. O valor: 500.000 reais.


Ao todo, são três processos. Um deles nem cita Jader. É o de número 9200052753. Trata-se de um processo administrativo contra a ex-diretoria do Banpará. Outro menciona Jader, mas não é conclusivo. Foi exatamente esse que "sumiu" depois de chegar ao Ministério Público do Pará há alguns anos. E o terceiro, mais completo, é definitivo em apontar a culpa do senador e cravar que a fraude chegou a 10 milhões.


Esse processo sempre foi um mistério. Nem o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, conseguiu acessá-lo. Brindeiro requisitou uma cópia ao BC. Queria dados para verificar a procedência das denúncias de enriquecimento ilícito feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães contra Jader Barbalho e das feitas por Jader Barbalho contra Antonio Carlos Magalhães.


Ou o Banco Central se enganou ou Brindeiro foi enganado. O BC encaminhou ao procurador apenas o processo administrativo – aquele que nem cita Jader e se limita a listar as punições contra os diretores do Banpará na época. O processo que interessava ao procurador, não se sabe bem por quê, foi ocultado, o relatório que conta tudo estava guardado na delegacia do Banco Central em Belém. Desde então, está trancado a sete chaves no prédio do BC em Brasília. Só a diretoria do banco tem acesso ao documento.


Em tese, o Banco Central vai reestudar o processo e expedi-lo de volta para Belém, onde o promotor Vicente Miranda pediu para analisá-lo. Na verdade, esse relatório completo, que foi concluído em 1992, deveria estar desde então no Ministério Público do Pará, ao qual cabe tomar as medidas judiciais apropriadas. Também não se sabe por que isso não ocorreu até hoje.


No meio do caminho, estourou o escândalo da ajuda aos bancos Marka e Fonte Cindam, (Cacciola) em que o BC enterrou 1,6 bilhão de reais para salvar as duas instituições.


A CPI pouco esclareceu sobre o socorro bilionário do Banco Central, mas, quando a CPI dos Bancos pretendia convocar o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para explicar o caso, o processo de Jader repentinamente saiu de sua longa hibernação. Malan não foi convocado para depor. O último movimento da documentação ocorreu em 11 de abril do ano anterior, quando ganhou novo endereço: R01, estante 00005, prateleira 00001, caixa 1876.



E a cronologia aponta uma última coincidência: duas semanas antes de o processo mudar de lugar, Tereza Grossi teve seu nome finalmente aprovado pelo Senado como diretora da instituição.

A última do Banco Central é a seguinte: depois de encaminhar cópia do processo inócuo à Procuradoria Geral da República, o banco mandou dizer que não ia entregar cópia do processo completo a ninguém, nem ao Ministério Público do Pará nem à própria Procuradoria Geral.

Documento mostra que o senador Jader Barbalho era sócio de um fraudador da Sudam acusado de desviar 133 milhões de reais.



É José Osmar Borges, dono de três CPFs e seis empresas em Mato Grosso, todas com projetos na Sudam. Ele é acusado de desviar uma montanha de dinheiro público: 133 milhões de reais.

Em quatro anos, as terras que pertenciam ao empresário José Osmar Borges, notório fraudador da Sudam, mudam de mãos, até acabar formando parte do patrimônio não declarado de Jader Barbalho.


O ex-banqueiro Serafim de Moraes e a mulher, Vera Campos, em sua casa em São Paulo e o recibo de depósito de 700 milhões de cruzados novos (hoje, 3,4 milhões de reais) em favor de Pedrosa da Silva, com a devida autenticação mecânica: a versão do casal foi confirmada. Os dois, de fato, compraram títulos da dívida agrária de Pedrosa da Silva e realmente os entregaram a um fundo de pensão, a Portus. Os dois, porém, afirmam apenas que viram o senador Jader Barbalho no saguão do hotel onde a negociação foi feita, mas não sabem dizer se o cheque foi parar nas mãos dele.
Jader Barbalho, entre títulos da dívida agrária cancelado devido à descoberta de uma fraude e extratos telefônicos mostrando as ligações entre o senador e o empresário José Osmar Borges, acusado de desviar 133 milhões de reais da extinta Sudam: os contatos eram feitos por meio do celular de uma terceira pessoa ou de um aparelho num quarto do Hotel Hilton em Belém do Pará.

A Fazenda Rio Branco, no Pará, ficou ainda maior depois da transação.
 Não se tem notícia do rumo que os 110 milhões de reais tomaram depois de pousar na CC-5 do paraguaio, mas chamam a atenção a fortuna que a Saint Germany movimentava e a notável coincidência de que suas remessas ocorreram logo depois de selar sociedade com a mulher do senador.

Cruzando os documentos da Junta Comercial com as auditorias na Sudam, fica-se sabendo que, na mesma época em que se esbaldava recebendo milhões de reais da Sudam, José Borges estava se associando à mulher de Jader. A diferença é que, em maio de 1996, quando ambos compraram a Campo Maior, ninguém sabia, ainda, que Borges era um monarca das fraudes. A essa altura, associar-se a ele não era, por si só, comprometedor. As primeiras investigações em suas seis empresas só começaram um ano depois, em 1997, por iniciativa do procurador Pedro Taques, do Ministério Público de Mato Grosso.

De lá para cá, suas empresas sofreram investigações de vários órgãos – Polícia Federal, Receita, Secretaria Federal de Controle, Tribunal de Contas –, e o resultado foi sempre igual: os desvios de dinheiro eram inúmeros, recheados de notas frias, obras inexistentes, contratos falsos e superfaturamentos que passavam dos 500%.


José Osmar Borges com o círculo de Jader Barbalho já tem história. Há dois anos, soube-se que o empresário fez depósitos no total de 39.000 reais na conta de José Artur Guedes Tourinho, o homem que, por indicação de Jader, comandou a Sudam de 1996 a 1999. (Os Tourinho sempre na história nebulosa)

Num de seus primeiros atos no comando da Sudam, Tourinho firmou um convênio, ou "auto convênio". Dava 320.000 reais por ano a uma empresa, a CTI Amazônia, para fomentar o turismo na região. O chato é que a CTI Amazônia era presidida pelo próprio Tourinho. Depois, soube-se que um dos reis da Sudam era o empresário José Osmar Borges – o do roubaço de 133 milhões. Nos últimos anos, as empresas de Borges conseguiram nada menos que 327 milhões de reais de incentivo na Sudam. Um pouco depois, apareceu um cheque de 39.000 reais depositado por Borges na conta de Tourinho. 


Este explicou que o depósito era o pagamento pela venda de um sítio. Questionado sobre o motivo dos depósitos, Tourinho disse que provinham da venda de um sítio ao empresário, mas o negócio acabou desfeito à última hora. Disse ainda que, como estava assumindo a Sudam, achou que seria constrangedor ter negócios com o empresário.


Se essa versão é verdadeira ou não, só uma investigação dirá. Mas eis que aí está: até Tourinho, que foi afastado da Sudam por suspeitas de corrupção, julgou inconveniente aparecer ligado a José Borges. Até Tourinho. E o que se deve achar do fato, sabido agora, de que a mulher de Jader, o cunhado de Jader e o próprio Jader faziam negócios com o empresário enquanto ele armava grossas pilantragens na Sudam?

O rombo foi acrescido de 1,2 bilhão de reais. É a soma dos desvios apurados em 150 projetos já analizados e com valores atualizados. Com isso, o total sobe para 1,8 bilhão. Há ainda 63 projetos sob exame, de modo que o rombo total será ainda maior.


Em Paraíso do Tocantins, cidadezinha a 76 quilômetros de Palmas, capital do Estado, um ilustre desconhecido abriu três empresas que, mais tarde, iriam arrancar 14,2 milhões de reais da Sudam. Mas um dado chamou a atenção do Ministério Público: o desconhecido usava documentos falsos, abrira as três empresas num único dia e seus "donos" eram humildes balconistas de uma distribuidora de bebidas.


Aos poucos, o trabalho de investigação foi crescendo como fermento, incluindo novos personagens e novas suspeitas, desvendando grandes e pequenos trambiques. Reuniram-se tantos indícios de fraudes que a Justiça autorizou a gigantesca operação de escuta em dezoito telefones, a qual produziu um retrato espantoso dos desvios milionários na Sudam. 

As transcrições das 369 conversas exibem todo o arsenal da corrupção: suborno, propina, saques. E, junto a esse emaranhado de falcatruas, emergem as silhuetas de um ministro, um secretário, um senador e um deputado. Uns, com a mão na massa. Outros, perigosamente próximos de quem só se preocupa em saquear os cofres da Sudam.

O fio que liga as autoridades ao escândalo da Sudam é um único personagem. Chama-se Geraldo Pinto da Silva, 46 anos, casado, três filhos. Rico, dono de imóveis em Belém, Goiânia e no Rio de Janeiro, Pinto da Silva tem uma empresa, a GPS & Companhia Ltda., com sede em Belém – onde fica, também, a sede da Sudam. 


Sua firma é especializada em abrir empresas, forjar projetos para a superintendência e conseguir dinheiro da autarquia, aproveitando-se do fato de que a Sudam tem como missão financiar projetos empresariais que ajudem a desenvolver a economia do Norte do Brasil.

Nos últimos quatro anos, Pinto da Silva criou dezoito empresas para apresentar projetos à Sudam que, juntos, somam 209 milhões de reais.  Conseguiu liberar 44,6 milhões de reais. 


O grampo da PF monitorou vários telefones do fraudador – da casa, do escritório. Monitorou até seu celular pré-pago, que Pinto da Silva, segundo confessa numa conversa, imaginava imune à escuta. Com isso, a PF descobriu que Pinto da Silva subornava funcionários da Sudam, preocupa-se com o avanço de investigações, tranqüiliza comparsas dizendo que "tudo iria voltar a ser como era antes" e compra de notas frias para justificar investimentos inexistentes.

Benivaldo Alves de Azevedo, o braço direito do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, dava informações à máfia da Sudam.

Descoberto o Pai, prossegue o filho...
Resultado de imagem para Jader Barbalho corrupto descansa na praia
O senador Jader Barbalho, que há mais de uma década montou seu feudo político na Sudam, é saudado pelos fraudadores da autarquia como uma benfazeja para as trambicagens. 

No fim de um dos relatórios, o agente da PF não se deu ao trabalho de narrar diálogos, mas escreveu, a título de orientação aos investigadores: "Geraldo Pinto da Silva e Rinaldo Jansen Cutrim (dono de um escritório que monta projetos para a Sudam, como o GPS de Pinto da Silva) comentam várias vezes que a eleição de Jader foi boa para eles". 

As fitas também mostram que aliados políticos do senador fizeram campanha no Pará com dinheiro desviado da Sudam. É o caso dos irmãos Soares, que elegeram o prefeito de Altamira na última eleição municipal. Num diálogo, registrado em fita de 21 de setembro, um dos irmãos Soares, Romildo, fala de sua urgência em receber da Sudam para azeitar o caixa de campanha. "Esse dinheiro tem que sair antes da campanha porque uma parte dele eu arrumei para a campanha, entendeu?"

O deputado federal José Priante, vice-presidente do PMDB no Pará, primo de Jader Barbalho e um colaborador íntimo do senador, também aparece envolvido com os fraudadores.


A Sudam liberou recursos para empresários que não tinham CPF. Uma empresa, a Agropecuária Rio Novo de Altamira, ganhou um projeto de 9,8 milhões de reais para cultivar cupuaçu, açaí e pimenta-do-reino. Conseguiu pôr a mão em 1,9 milhão.


Comprou trator e caminhão com notas frias. Fez cozinha, comprou esterco, adquiriu mudas de bananeira – tudo, de novo, com notas frias. Teve caso de empresa que apresentou nota de compra de material de construção em Tocantins – mas as notas eram do Maranhão. Até barco se falsificava. Uma empresa, Tunasa, num prodígio da engenharia náutica, fez com que um velho pesqueiro, construído em 1985 com 19 metros de comprimento, reaparecesse nos papéis da Sudam como um pesqueiro novinho em folha, com 30 metros de comprimento, avaliado em 1,6 milhão de reais.


É óbvio que tamanha bandalheira só vingava com o conluio de funcionários. A auditoria pede que sejam investigadas as condutas de uma massa de vinte servidores e vinte conselheiros. Mansão a trinta minutos de de Fortaleza: na Praia do Cumbuco, Jader descansa com a família à beira-mar

A agência do Itaú: aplicações do Banpará para as contas de Jader.


A fraude começa no dia 16 de outubro de 1984, quando o Banpará emite um primeiro cheque administrativo, de número 684 307, no valor de 35 106,04 reais, em moeda atual. No dia seguinte, o cheque é usado em uma aplicação financeira ao portador, na agência Jardim Botânico do banco Itaú, no Rio de Janeiro. Até 5 de dezembro de 1984, outros dez cheques administrativos são desviados do Banpará e aplicados no mesmo fundo. Entre fevereiro e maio de 1985, o fundo recebe mais sete cheques administrativos do Banpará. O total de dinheiro desviado do banco para o fundo chega a 2,5 milhões de reais, em valores de hoje.

Com as aplicações, o dinheiro se multiplica e os rendimentos vão sendo resgatados e reaplicados a cada seis meses. Além dos 2,5 milhões de reais desviados do Banpará, o fundo no banco Itaú passa a receber recursos de outras fontes, como bancos, corretoras, empreiteiras e pessoas ligadas ao senador Jader Barbalho. Entre 1985 e 1988, essas outras fontes aplicam no fundo 8,4 milhões de reais. O fundo é ao portador, mas, como os aplicadores são todos ligados a Jader, surge aí o primeiro indício de que o senador é o dono oculto do dinheiro.


Entre 1984 e 1988, período em que o dinheiro permaneceu aplicado, os resgates eram feitos com cheques ao portador emitidos pelo Itaú. O Banco Central monitorou esses cheques e descobriu a identidade dos beneficiados com os resgates: amigos, parentes e empresas de Jader Barbalho. A prova cabal de que Jader era o dono oculto do dinheiro está no fato de que, de todos, ele foi o maior beneficiário dos resgates. Num único saque, realizado em 17 de junho de 1987, Jader transferiu 9,9 milhões de reais das aplicações no Itaú para sua conta pessoal, de número 52042391, numa agência do Citibank


Surge a notícia de que Jader e sua mulher foram sócios de José Osmar Borges, acusado de desviar mais de 100 milhões de reais da Sudam.


Fica-se sabendo que a mulher de Jader, Márcia Cristina, é dona da empresa acusada de desviar 9,6 milhões de reais da Sudam, cuja contadora é Maria Auxiliadora, grande fraudadora da autarquia.

"Todo o relato acima, vergonhosamente arquivado no Banco Central sem providências até hoje, do resarcimento do desvio do erário público".
(Por Policarpo Junior, de Belém, e Ana d'Angelo Brasilia)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jader_Barbalho